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quarta-feira, dezembro 24, 2003

O Scolari tinha razão! O Scolari tinha razão! Segunda-feira dia 23, um dia após o jogo Alverca 1 - Porto 2, a frase que mais se ouvia nas ruas era esta. Nos cafés, nas escolas, nos hospitais, nos centro comerciais, um pouco por todo o lado, o contentamento estampado no rosto das pessoas era indisfarçável. Aaah, que sensação de alegria e bem-estar com o mundo... O Vítor Baía sofrera um frango e, por isso, o Scolari tinha razão.
Ao tomar o café, reparei numa roda de amigos (era uma roda, mas todos tinham ar de bestas quadradas) que diziam, contentes, "Eh, eh... O Scolari é que tinha razão. Que grande frangueiro, aquele Baía! Ainda bem que o tipo não vai ao Europeu."

Mas imaginemos que o destino decide pregar uma partida a todos os Anti-Baía, e que o Ricardo, ao filmar mais um anúncio para uma produtora de Frangos, se lesionava com gravidade; que o Quim acusava, outra vez, um controlo anti-doping positivo; que o Bruno Vale partia a cabeça ao festejar o bi-campeonato; que todos os restantes guarda-redes da Superliga e da II Liga morriam, tragicamente, num desastre de autocarro que os transportava para um jantar de confraternização com Scolari, em que se comemorava o sexto mês após o frango do Vitor Baía em Alverca; enfim, que, feitas as contas, não restava outra solução ao Seleccionador que não fosse a de levar o Baía ao Euro 2004.

E imaginemos agora que, durante o Europeu, Portugal, com Baía a titular, vai, com um pouco de sorte, ganhando jogo a jogo, eliminando um, eliminando outro e... chega à final. E que, na final - contra França, por exemplo, com quem temos contas a ajustar - o Vitor Baía decide (estranhamente, claro) fazer uma exibição de sonho; ele é defesas ao ângulo, saídas arrojadas, penaltys defendidos, defesas por instinto, defesas com os pés, com a cabeça, eu sei lá mais o quê. Com o decorrer do jogo, os adeptos portugueses começam a ficar nervosos, a roer as unhas, a ver que, a qualquer momento, a França pode chegar ao golo; Portugal não ataca, e o Baía a defender, a defender, até que... no último minuto, um atraso de Ricardo Carvalho... Baía prepara-se para pontapear a bola, mas esta, caprichosamente, passa-lhe por baixo do pé e... é Golo da França!! Parece que estou a ver: o Povo, eufórico, grita "É Golo! É Golo!". Portugal salta de alegria e emoção! A população sai à rua, bandeiras portuguesas ao vento, cachecóis ao ar, crianças, adultos, homens, mulheres, o País inteiro festeja a vitória da França - e a derrota de Portugal - e grita: "O SCOLARI TINHA RAZÃO! O SCOLARI TINHA RAZÃO!".

Para dizer a verdade, eu também acho que o Scolari tinha razão. Confesso que, durante este tempo todo, andei enganado.
Não sei o que me passou pela cabeça para pensar que o Baía era um grande guarda-redes... Não sei... talvez fosse mesmo a época que ele estava a fazer – as saídas sempre seguras aos cruzamentos, as defesas impossíveis que garantiram tantos pontos, a coragem com que se saía aos pés dos avançados, a tranquilidade com que jogava fora da área, a regularidade patenteada jogo após jogo, a autoridade com que comandava a defesa, a superioridade clara e inequívoca que demonstrava sobre qualquer outro guarda-redes a jogar em Portugal... Não sei.
Só sei que, à 15ª jornada, depois de (mais) uma vitória, depois de (mais) uma exibição segura do Vitor Baía, em que, por duas vezes, evitou, brilhantemente, o empate do Alverca, depois de fazer aquilo que tem vindo a fazer desde que me lembro de o ver jogar, o Baía - o sacana do Baía – deu um frango... Isto não se faz. Sinto-me enganado. Por isso, daqui para a frente, nunca mais me ouvirão gabar as (afinal inexistentes) qualidades do Vitor Baía. Porque, afinal, O Scolari tinha razão.

Boas Festas.

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