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sexta-feira, março 18, 2005

Ponham o Benfica em primeiro lugar no campeonato, espetem com duas derrotas seguidas em cima do Porto e, a isto, juntem 7 golos sofridos pelo Vítor Baía em dois jogos, e o resultado é uma quantidade tal de adeptos a babarem-se que dava para acabar com a seca em três tempos. Eu até compreendo que os rivais da 2ª Circular aproveitem este momento menos bom do Porto para deitarem cá para fora uma série de frustrações acumuladas ao longo dos anos, mas, até hoje, sempre tivera alguma dificuldade em compreender o caso Vítor Baía.
Durante muitos, muitos anos - quase tantos quantos os que o Benfica leva sem vencer um campeonato - houve duas questões que me atasanaram o espírito: que motivos haveria para que tanta gente odiasse aquele que é, de longe, o maior guarda-redes português; e quem - quem, meu Deus?! - teria dito ao Bruno Caires que ele, alguma vez, poderia ser jogador de futebol. Se esta última continua, ainda hoje, por responder, já a primeira foi finalmente esclarecida, e, posso dizê-lo, de uma forma absolutamente inesperada.
Enquanto tomava o meu café da manhã e assistia, pela septuagésima-quinta vez, às imagens dos golos do Nacional na televisão, e meia dúzia de palermas aproveitava para dizer, possivelmente também pela septuagésima-quinta vez, que "o que é Nacional é bom", eis que uma rapariga, ao mostrarem um grande plano do Vítor Baía, se sai com um “Este homem é podre de giro” para uma amiga. A princípio nem sequer dei muita importância àquela frase, mas, depois, fez-se luz e percebi que estava ali o verdadeiro motivo por que a massa adepta(?) do futebol não pode com o Baía. Não por ele ser portista, como cheguei a pensar; não por ter mais títulos que os plantéis de Sporting e Benfica juntos (há muito que os adeptos destes clubes devem ter desistido de fazer contas); e muito menos por supostas más exibições ao serviço da Selecção - isso é, sempre foi, conversa de ressabiado que percebe tanto de bola como o Luís Campos. O problema está, então, no facto de o Vítor Baía, ao que parece, ser bonito.
Percebe-se assim, finalmente, a razão pela qual os três guarda-redes considerados rivais (pausa de 15 minutos para riso incontido), apesar de incomparavelmente piores do que o 99 portista, não suscitam sequer um décimo do azedume que o Vítor podre-de-giro Baía suscita: Quim e Ricardo poderiam facilmente ser utilizados em postais alusivos ao Halloween, e ao Moreira ponham-lhe uma carapinha, enfiem-no num Solarium, e desafio quem quer que seja a distingui-lo do Lionel Richie.
Se têm dúvidas sobre esta minha conclusão, experimentem fazer a pergunta a alguém do sexo feminino. Foi o que eu fiz com a minha mulher. E aproveito para dizer, com satisfação e orgulho - mas sem baba -, que, para ela, não há nenhum futebolista tão bonito como eu. Mesmo que 3 segundos depois me tenha perguntado: “O Capucho já não joga, pois não, querido?...”

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