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sábado, junho 18, 2005

Tudo na vida tem um fim. Tudo. Até, infelizmente, o jejum dos benfiquistas. E este blog não é excepção. Chegou portanto a altura de escrever o último post do Vitor-Vitoria.
Explicar a um não-portista o que é ter um guarda-redes como o Baía na equipa é quase como pedir a um sportinguista que não fale de arbitragens no final dos jogos: é difícil, se não impossível. O Baía não é apenas o somatório das defesas, dos campeonatos e das taças. O Baía é tudo isso e muito mais.
Porque termina então este blog? Termina, fundamentalmente, por culpa de um homem: Daniel Gaspar, treinador dos guarda-redes do Porto durante esta última época e que, numa entrevista concedida há umas semanas, disse que o Vítor Baía “tem capacidade para jogar até aos 40 anos”. Ora, isto, a ser verdade, significa que o Vítor Baía tem ainda mais 5 anos pela frente como guarda-redes do Porto. E cinco anos, não sendo tanto como 10, é muito tempo - muitos dias, muitas horas a blogar. E a minha vida não é isto. Embora às vezes pareça, admito.

A verdade é que a O.A.B. - Onda Anti-Baía - já teve os seus tempos áureos. E foi precisamente a O.A.B. que me fez tornar num P.B.F. – Pró-Baía Fundamentalista. Nunca mais me esquecerei daquele Portugal 2 - Estados Unidos 3, do Mundial de 2002, em que eu, aproveitando uma pausa no trabalho, perguntei o resultado a um F.D.P. (esta é fácil) de um anti-portista que assistia ao jogo, e ele me respondeu: “Está 3-0... 3 frangos do Vítor Baía”. Foi nesse instante que eu percebi que era um homem com uma missão: dizer sempre bem das exibições do Baía - mesmo que pensasse o contrário - e mal, muito mal, dos Anti-Baía. Isso e voltar para o trabalho. Hoje, com quase dois anos de Vitor-Vitoria, acho que a minha missão está cumprida, e é mais ou menos pacifico afirmar que, à excepção de meia dúzia de palermas e dos jornalistas do Record (passe a redundância), e passados 3 anos sobre o Mundial de 2002, ninguém parece ter dúvidas sobre quem é – e sempre foi – o melhor.

Curiosamente, ou talvez não, foi precisa uma época desastrada do Porto para que todos aqueles que antes criticavam o Vítor Baía abrissem, finalmente, os olhos e percebessem que não há, não houve, e dificilmente voltará a haver um guarda-redes como o Vítor Baía. Em Portugal e no resto do Mundo. Mas se houver, que seja do FCP.
E no entanto, ao contrário do que possam pensar os mais desatentos, o Vítor Baía deste ano não esteve melhor nem pior do que em anos anteriores. A diferença esteve no resto da equipa. Se em anos anteriores as defesas do Baía, muitas vezes, significavam a diferença entre ganhar por 3 ou por 4, este ano essas defesas fizeram a diferença entre entrarmos directamente para a Liga dos Campeões ou sermos campeões... da Divisão de Honra na próxima época.
Nos próximos tempos poderei, finalmente, assistir aos jogos do meu clube sem ter a preocupação de escrever um post porque o Baía fez uma grande defesa ou porque foi mal batido; poderei vibrar mais com uma vitória do Porto por 4-3 do que com um empate a zero, algo que se tornava cada vez mais difícil desde que criei o blog; poderei assistir descansado ao Mundial de 2006 porque sei que, quando o momento decisivo chegar, o País saberá, tal como no Euro 2004, que aquele lugar entre os postes estava vazio; e poderei, enfim, assistir à conquista de muitos mais títulos e à consagração definitiva do maior símbolo vivo da história do Futebol Clube do Porto.

Adeus e Boas Bloguices.

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